Como interpretar mapas de produtividade na agricultura de precisão

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin
mapas de produtividade na agricultura

Neste texto eu vou te mostrar como você pode interpretar mapas de produtividade na agricultura de precisão e a importância deste procedimento.

Os mapas de produtividade são uma das melhores ferramentas na Agricultura de Precisão.

O mapeamento da produtividade é vital para o sucesso da atividade agronômica.

Com o mapa de produtividade em mãos, é possível saber quais as melhores partes das lavouras, onde produzimos mais e onde estamos deixando de produzir.

Com a utilização dos mapas de produtividade é provável que ocorra otimização do uso de insumos e aumento em produtividade nas fazendas.

Você quer saber como produzir mais e ainda otimizar o uso dos insumos na sua propriedade?

Acompanhe neste artigo as formas corretas de interpretar os mapas de produtividade e gerar recomendações agronômicas a partir deles.

Leia Também:

Agricultura de precisão no Brasil é semelhante aos EUA?

O que são mapas de produtividade?

Os mapas de produtividade são mapas de pontos coletados nas lavouras com informações sobre a quantidade colhida em determinada área no campo.

A localização de cada ponto é georreferenciada com o auxílio de um GNSS ( sistema de navegação global por satélite) e possuem coordenadas (latitude e longitude) para correto posicionamento dentro da lavoura.

A área que cada ponto representada pode ser definida de acordo com a velocidade de deslocamento da máquina, do tempo de coleta de cada ponto (geralmente entre 1 a 3 pontos por segundo) e da largura da plataforma.

Os pontos são classificados em diferentes escalas de cores, de acordo com a produtividade para a composição do mapa final.

mapas-de-produtividade-na-agricultura-de-precisao

Fonte: (Quirós et al., 2017)

Um dos componentes principais no monitoramento da produtividade é o sensor de fluxo de grãos, que possui associados aos seus sistemas outros sensores, como: de umidade, de inclinação, de levante da plataforma, entre outros.

O sensor mais comum que mensura o produto sendo colhido é a placa de impacto, que é um tipo de sensor gravimétrico, além deste, temos os sensores por facho de luz, conhecidos como volumétricos.

Para que os mapas de produtividade sejam fidedignos ao que acontece no campo, é preciso certo cuidado em sua construção.

Para a criação correta dos mapas de produtividade é necessário um processamento dos dados coletados.

Nesse processamento, busca-se eliminar dados errôneos por meio de filtragens, análises estatísticas e interpolações. 

mapas-de-produtividade-na-agricultura-de-precisao

Fonte: (Boletim Técnico 04 LAP/ESALQ)

Confira os principais fatores que podem influenciar no mapeamento errôneo das nossas lavouras:

  1. Máquina descalibrada: para a correta coleta de dados de produtividade em campo, deve-se calibrar a placa de impacto de acordo com a cultura que estamos colhendo.
  2. Largura da plataforma: A indicação da largura da plataforma que está sendo utilizada em cada passada é de fundamental importância para evitar erros de colheita.
  3. Calibração dos sensores acessórios: inclinômetro, umidade, levante de plataforma.
  4. Posicionamento incorreto proveniente do GPS.

Como gerar recomendações com os mapas de produtividade?

As recomendações tradicionais de adubação utilizam uma quantia média da necessidade de insumos de uma lavoura, o que não é suficiente quando estamos pensando em agricultura de precisão.

A gestão localizada das lavouras com altas produtividades e otimização dos insumos busca nos mapas de produtividade zonas com necessidades específicas de insumos.

De acordo com as informações contidas nos mapas de produtividade, em um software SIG (Sistema de Informação Geográfica) como o QGIS, ou diversos outros que encontramos no mercado, é possível a criação do mapa de recomendação de adubação.

Os mapas de recomendações são mapas de pixels, onde cada pixel geralmente possui três informações básicas: latitude, longitude e dose.

Se os agricultores optarem pela investigação utilizando apenas os mapas de produtividade, deve-se utilizar equações de recomendação baseada apenas na reposição dos nutrientes que foram exportados via colheita.

Nesse sistema, cada píxel do mapa de produtividade, depois de filtrado e interpolado, pode ser multiplicado por um fator de exportação de cada nutriente, de acordo com a cultura que estava semeada.

Em sistemas que utilizam o mapa de produtividade do ano anterior, gera-se o mapa de produtividade esperada para aquele ano, multiplicando-se cada valor do pixel por fatores de incremento ou decremento da produtividade, de acordo com o conhecimento do consultor de cada área.

O mapa gerado no SIG deve ser sobreposto ao mapa de fertilidade do solo, e em cada pixel é aplicada a equação de recomendação, levando-se em conta o que há no solo e o que é necessário inserir via adubação para atingir a produtividade esperada.

Esse mapa final é inserido no monitor do controlador para posterior aplicação em doses variadas.

Leia também:

Drones podem ampliar a performance da agricultura de precisão?

Investigando as manchas em campo para entender a variabilidade

As análises do desenvolvimento das plantas é um dos principais fatores para o entendimento da variabilidade espacial.

O efeito do manejo realizado, bem como das diferentes características incidentes sobre o desenvolvimento das culturas, pode ser visualizado a partir do mapeamento da produtividade.

Uma vez que o mapa de produtividade foi confeccionado e pós processado, a investigação dos fatores causadores das manchas de altas e baixas produtividades pode ser realizada.

Muitos são os fatores que podem acarretar em baixas produtividades.

Nos locais onde o mapa apresenta baixas produções, alguns fatores devem ser investigados a campo:

  • Textura e fertilidade do solo;
  • Presença de nematóides ou pragas incidentes; 
  • Água disponível às plantas (especialmente no milho safrinha, uma vez que a água chega a ser um fator limitante de aumento de produção, onde temos solos férteis e corrigidos);
  • Problemas de drenagem;
  • Solo compactado;
  • Presença de plantas daninhas.

Além desses fatores, podemos encontrar fatores intrínsecos nos talhões, que podem ser causadores de baixas produtividades nas áreas.

Os fatores intrínsecos das áreas cultivadas devem ser manejados de forma diferenciada.

O que são esses fatores intrínsecos que acarretam em menores produtividades?

Os fatores intrínsecos são fatores que não podemos manejar nos nossos talhões, como diferentes tipos de solos e relevo das áreas.

Solos com teores diferentes de areia e argila possuem dinâmicas totalmente diferentes em quesitos de fertilidade, armazenamento de água, compactação e afins.

Uma vez que o agricultor sabe onde se encontram as manchas em suas lavouras, o manejo diferenciado de cada área pode ser otimizado.

mapas-de-produtividade-na-agricultura-de-precisao

(Fonte: INPI)

Talhões que possuem solos pobres e não respondem à adubação também podem dar lucro, se manejados corretamente.

Uma vez que possuímos vários mapas e as manchas de alta e baixa produtividade se repetem, ao longo dos anos, podemos traçar as zonas de manejo.

Sempre que foram delimitadas zonas com padrões semelhantes dentro da minha fazenda, é possível utilizar padrões de adubação e de preparo de solo diferenciados.

Pode-se utilizar, também, diferentes cultivares de forma a explorar o máximo do potencial produtivo de cada porção da lavoura.

Áreas mais férteis e mais responsivas à adubação podem ser manejadas com híbridos melhores, de modo a aumentar ainda mais a produtividade.

É evidente que os custos de produção vão ter um limiar ótimo entre o que colocamos de insumos e o que retiramos de produto do campo, e por meio dos mapas de produtividade e experimentações locais, é possível chegar a esses fatores otimizados.

Criação das zonas de manejo a partir dos mapas de produtividade

As zonas de manejo, ou também conhecidas como unidades de gestão diferenciadas (UGD), são regiões com mínima variabilidade dentro dos talhões, e podem ser delimitadas, na maioria das vezes, por meio de álgebra de mapas de produtividade e mapas de fatores físicos do solo.

Para a criação das zonas de manejo é necessário que os usuários tenham certa experiência nos conceitos de agricultura de precisão.

As zonas devem ter estabilidade temporal e espacial, isso quer dizer  que, uma vez delimitadas as zonas, elas não se alterarão com o passar dos anos.

mapas-de-produtividade-na-agricultura-de-precisao

Fonte: (Quirós et al., 2017)

As zonas de manejo devem ser trabalhadas como unidades homogêneas dentro dos talhões, necessitando de menores amostras para sua correta representação.

Como aproveitar todos os dados gerados pelas colhedoras?

A equipe de pós processamento dos dados vindos da colhedora deve se atentar à possíveis ações que podem ocasionar perdas de colheita em campo.

Uma colhedora gera uma infinidade de dados que podem auxiliar no entendimento do manejo realizado em cada região.

Um mapa de velocidade de avanço da colhedora pode mostrar locais onde certamente apresentaram maiores perdas de colheita, devido à velocidade incorreta da máquina.

Um mapa de largura da plataforma indicados em cada passada pode revelar erros de regiões com altas ou baixas produtividades.

Fontes alternativas aos mapas de produtividade

Atualmente existem outras formas de coletas de dados com intuito de entendimento da variabilidade espacial.

Por meio de sensoriamento remoto e proximal é possível confeccionar mapas diversos, tal qual: NDVI, NDRE, que são rotineiramente chamados de mapas de saúde da vegetação, entre outros.

mapas-de-produtividade-na-agricultura-de-precisao

Fonte: (Portal Biossistemas)

Além dos sensores de reflectância do dossel, as imagens de satélites e fotografias aéreas, coletadas em sua grande maioria com RPA (aeronaves remotamente pilotadas), agregadas a algoritmos criados por diversas startups são excelentes ferramentas alternativas aos mapas de produtividade.

A pesagem dos tanques graneleiros colhidos e atrelados à área onde foi realizada a colheita, também pode ser indicadores de regiões de alta ou baixa produtividades dentro das lavouras.

Conclusão

Os mapas de produtividade, desde que bem realizados, auxiliam no entendimento de cada pequena porção da lavoura e, com isso, é possível traçar estratégias para produzir mais e reduzir os custos de produção.

Neste artigo, você aprendeu como utilizar os mapas de produtividade para analisar regiões que produzem mais dentro das nossas lavouras.

Além disso, falamos também sobre como interpretar os mapas de produtividade e gerar zonas de manejo e recomendações agronômicas a partir deles.

Frente a tantos benefícios e informações provenientes dos mapas de produtividade, vamos começar a coletar os dados e utilizar para aumentar nossas produtividades?

Você já trabalha com mapas de produtividade nas áreas da sua propriedade? Restou alguma dúvida? Adoraria ver seu comentário!

Autor do texto

Sou Engenheiro Agrônomo e Licenciado em Ciências Agrárias pela ESALQ/USP. Mestre em Engenharia de Sistemas Agrícolas com foco em Agricultura de Precisão pela mesma Instituição. Atualmente sou professor, empreendedor e colaborador do time da Geodata escrevendo conteúdos sobre o tema.

Leave a Replay

Sobre

A Geodata atua proporcionando assertividade para o produtor rural. Através da gestão de dados na sua plataforma, ela revoluciona e vai além da agricultura de precisão. 

Criando laços a longo prazo e se aprimorando para entregar máxima funcionalidade para os seus usuários. 

Post Recentes

Siga-nos

Conheça nossa Plataforma

Play Video

Inscreva-se em nossa newsletter

Inscreva-se e entenda mais sobre Agricultura de Precisão e como ela vai prosperar o seu negócio.

Scroll Up