Agricultura de precisão no Brasil é semelhante aos EUA?

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Que os Estados Unidos é o berço da tecnologia em diversos segmentos, inclusive na agricultura, nós já sabemos.

Mas será que mesmo assim a agricultura de precisão (AP) é parecida com a utilizada pelos Norte-americanos?

Com sistemas de produção com algumas diferenças, custos e visões da propriedade distintas, estudiosos afirmam que a AP brasileira se equipara com as do EUA.

Neste artigo, discutimos as principais diferenças e semelhanças e mostramos como está esse mercado para você se manter atualizado!

Entenda as semelhança entre a agricultura de precisão no Brasil e EUA

A percepção da semelhança entre a agricultura de precisão dos dois países começou ano passado, quando o famoso pesquisador Kenneth Sudduth (do USDA) afirmou que o estágio brasileiro nessa área não fica muito atrás daquelas norte-americanas.

A afirmação feita no Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão (ConBAP 2018), fez com que nós fizéssemos essa reflexão: quais são essas semelhanças? E o que podemos aprender com isso?

Elencamos algumas questões abaixo:

Desconfiança

A primeira semelhança foi levantada pelo próprio pesquisador K. Sudduth. Tanto os produtores rurais dos EUA, quanto os do Brasil, ainda não estão tão seguros assim quanto a AP.

Sudduth explica:

 “O que acontece é que muitos agricultores não conseguem enxergar valor nas informações fornecidas pelos instrumentos da Agricultura de Precisão. Um exemplo disso é a desconfiança quando a parâmetros que apontam para a necessidade de aplicação de fosfato ou potássio em suas lavouras”

Claramente, a tradição, os costumes e o “sempre fiz assim e deu certo”, não são exclusividade dos agricultores brasileiros.

Podemos ver que transpor essa desconfiança é difícil em todo o mundo, e é preciso um esforço extra nessa questão para implementar as técnicas de AP nas propriedades.

Ensaios de campo, palestras, workshops, e demonstrar os resultados sempre é uma boa saída.

(Fonte: Vantage-ro)

Globalização das técnicas

Se antes uma técnica ou tecnologia demorava para sair dos Estados Unidos e se espalhar pelo mundo, hoje isso pode ocorrer em questão de meses, ou até dias.

A globalização com redes de comunicação ampliadas, facilitação do transporte entre países e o uso da internet, fizeram com que isso ocorressem.

Agora, eventos, publicações científicas e empresas de todo o mundo podem se conectar e avançar quanto ao conhecimento.

Por isso, as técnicas conhecidas aqui no país são as mesmas que as dos Estados Unidos. Mesmo que tenhamos algumas diferenças de uso ou de implantação, as técnicas em si são as mesmas.

O desafio de interpretação de dados

No Brasil, EUA, ou em qualquer lugar do mundo, precisamos transformar os dados da agricultura de precisão em informações úteis. 

Isso significa que o agricultor precisará encontrar tempo para analisar os dados ou contratar alguém para fazer isso por eles. 

E quem passa pelas informações precisa entender o que os dados estão dizendo. Isso significa ser capaz de seguir as linhas de tendência, relatórios, gráficos, e identificar oportunidades ou falhas do sistema agrícola.

Mas afinal, onde está a diferença entre a agricultura de precisão no Brasil e EUA?

Elencamos aqui as principais diferenças  entre AP dos dois países, procurando entender melhor esse mercado:

Implantação da agricultura de precisão no Brasil e EUA

O estudo Griffin e Lowenberg-DeBoer buscou averiguar como é a adoção da AP em diversos países, inclusive a agricultura de precisão no Brasil e EUA.

Com isso, foi observado que no Brasil há forte adoção em culturas de larga escala e de maior valor, como cana, grãos e citros.

Embora o uso da AP seja realmente maior também em grandes culturas dos EUA, também podemos perceber seu uso em escalas menores e culturas de menor valor, o que não ocorre no nosso país.

É interessante ressaltar que, em geral, vemos maior uso da AP em fazendas maiores, como verificado no Brasil e também no relatório do governo dos EUA, e em outros países.

A principal razão disso, segundo estudos, é o fato de que produtores maiores são mais propensos a adotarem tecnologia.

Além disso, a quantidade de áreas utilizando agricultura de precisão no Brasil e nos Estados Unidos é bem discrepante.

Não há números oficiais, mas estima-se que a taxa de adoção no Brasil gira em cerca de 20% das áreas agrícolas. Lembrando que algumas tecnologias, como orientação por GPS, têm maior adoção do que outras tecnologias.

Ou seja, muitas áreas só possuem a orientação por GPS, já embarcada nas máquinas agrícolas, como AP. Isso significa que temos muito ainda a crescer.

(Fonte: The Robot Report)

Já no Norte do continente, a taxa de adoção da AP em 2010 já era de 22% de acordo com o relatório do ERS (Economic Research Service) de 2016

Um dos principais motivos é o custo dessa tecnologia, o que nos leva a outra diferença:

Custo da agricultura de precisão no Brasil e Estados Unidos

Novas tecnologias de AP, em sua imensa maioria, nasce no exterior, principalmente nos Estados Unidos.

Por isso, é claro que a importação será mais custosa no Brasil. Adiciona-se à isso a taxa de câmbio e temos preços bem mais elevados do que os praticados nos EUA.

Conforme as tecnologias vão se tornando mais conhecidas e as patentes caindo, é possível implantá-las a custos menores para os produtores rurais brasileiros.

Mas o custo ainda é uma grande barreira. Isso impulsiona os serviços de agricultura de precisão, sendo uma boa opção para o agro brasileiro tirar proveito da AP a custos menores.

Comunicação rural

Muitas técnicas da agricultura de precisão utilizam o cruzamento de dados necessitando de uma rede de internet.  A falta de comunicação rural no Brasil significa atrasado a implantação dessas técnicas.

Hoje, grandes regiões produtoras tem conexões celulares e de dados nos campos tão ruins que mal são possíveis ligações simples de celular.

Ao contrário, nos Estados Unidos as conexões permitem a utilização de informações via redes e até amplificam o uso da AP.

Mais uma barreira que vemos em terras brasileiras, mas que procura ser solucionado nos próximos anos pela iniciativa pública e privada.

Saiba mais sobre a agricultura de precisão no Brasil

Agricultura de precisão é um conceito que trabalha a variabilidade espacial das lavouras. Isso significa que trabalhamos considerando que cada pequena parte da lavoura não é igual e, por isso, deve ser trabalhada diferentemente.

(Fonte: Uavics)

Com isso, é comum verificarmos redução de insumos aplicados ao se aplicar a AP, evitando desperdícios e colaborando com o meio ambiente.

Com um bom sistema de gerenciamento, interpretações dos mapas de produtividade e aplicações a taxa variável, conseguimos (além da otimização de insumos), aumentar a produtividade e a produção agrícola.

No Brasil, a AP começou na década de 90, com uma adoção muito lenta até os anos 2000. Depois disso, houve um impulso tecnológico pelos fabricantes internacionais de máquinas. 

Com isso, entre 2005 a 2010, vimos um aumento de prestadores de serviço da área, especialmente na amostragem do solo e aplicações a taxa variável de fertilizantes. 

Na última década, o sistema de plantio direto cresceu muito em todo país, impulsionando o uso da AP. 

Isso porque o plantio direto traz algumas particularidades, incluindo atenção com fertilizantes e a necessidade de cuidar da física e compactação do solo.

Por isso, mesmo com desafios, a agricultura de precisão no Brasil ainda é promissora.

Conclusão

As semelhanças entre a agricultura de precisão no Brasil e nos EUA são especialmente quanto a desconfiança dos produtores, do conhecimento das técnicas e a da interpretação de dados.

Isso mostra que ainda temos desafios para adoção da AP em níveis mundiais, mas que podemos mudar isso com conscientização e bons sistemas de gerenciamento.

As diferenças de custo, adoção da AP e comunicação rural parecem diminuir daqui para a frente, com investimento e contornando as situações.

Tudo isso colabora com o crescimento da agricultura de precisão, ajudando o produtor na tomada de decisão mais segura e mais sustentável para o negócio e meio ambiente.

E você, já usa agricultura de precisão? Como foi seu retorno com a AP? Tem alguma dúvida? Deixe seu comentário abaixo!

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